Framboesas no Vazio

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O açúcar encontrado perto do centro da galáxia muda as coisas. Não muito. Mas alguma coisa.

É eritrulose. Você já ouviu falar dele, talvez, como adoçante. Ou talvez apenas porque as framboesas estão cheias disso. Agora, os astrónomos encontraram-no numa nuvem de gás perto do coração da Via Láctea.

A nuvem atende pelo nome seco G+0,693+0,027. É onde está. É a primeira vez que este açúcar específico foi avistado fora do nosso sistema solar. Antes disso, era tudo teoria de laboratório ou raspagem de meteoritos. Este é o açúcar espacial. Confirmado.

“Os açúcares são moléculas importantes… ajudando a fornecer energia… e a formar partes do material genético.”

Dois grandes radiotelescópios na Espanha captaram-no. Yebes e IRAM. Eles não adivinharam. Eles compararam o sinal com padrões medidos aqui mesmo em laboratórios na Terra. Não é uma coincidência.

Geralmente somos obcecados por água e carbono. Esses são os pesos pesados ​​para os que buscam a vida. Mas você também precisa de armazenamento de energia. Estrutura. Os açúcares fazem isso.

Izaskun Jiménez-Serra co-escreveu o estudo na Nature Astronomy. Ela observou que a detecção funcionou devido ao equipamento sensível e ao posicionamento sortudo. A nuvem alvo é quimicamente rica. Como um buffet para astroquímicos.

Aqui está por que isso é importante. A eritrulose está estranhamente ligada à treose. Outro açúcar. Esse poderia ter construído os primeiros ácidos nucléicos. Que se tornou RNA. Que se tornou DNA. Você vê a linha.

Química prebiótica. Acontece antes da existência das células. Apenas átomos dançando no frio.

O açúcar não é novidade nas notícias espaciais. Ribose aparece em asteróides. Glicose também. OSIRIS-REx trouxe amostras de Bennu e adivinhe? Ambos estavam lá. O kit de ferramentas da biologia parece portátil.

O velho problema? Os cientistas não conseguiram fazer com que a eritrulose acontecesse na Terra primitiva. As simulações de laboratório falharam. Muito pouco produto. As condições não permitiam concentração suficiente para impulsionar a vida.

Até agora.

Se a eritrulose se formar em grãos de poeira antes de um planeta existir, ela não precisa do planeta para produzi-la. O próprio espaço cozinha. Então a pedra chega. Traz consigo o açúcar.

Então talvez a Terra tenha herdado o seu inventário inicial do vácuo frio.

O que vem a seguir?

A equipe quer caçar moléculas maiores. Precursores diretos do RNA. Eles querem ver até onde a química chega antes mesmo que a gravidade comece a agrupar as coisas em mundos.

Continuamos encontrando peças. Por que estamos surpresos?

“Queremos entender até que ponto a química pré-vida pode progredir antes que os planetas sejam formados.”

O universo está cozinhando. Nós apenas começamos a prová-lo. 🌌

É vida?

Ainda não. Mas os ingredientes estão definitivamente no balcão.