“Dia da Independência” não é a Guerra dos Mundos. Ou é?

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Não os confunda. Não diretamente. O Dia da Independência tem rostos totalmente novos. Não há marcianos. E H.G. Wells definitivamente não escreveu brigas aéreas sobre Londres como uma ópera espacial.

No entanto, aqui estamos. Contradizendo a nós mesmos.

Dia da Independência é Guerra dos Mundos. É sobre a perda da Terra. Seriamente. Os alienígenas aparecem, estamos desarmados, lutamos de qualquer maneira. As faixas finais também. Os vírus de computador substituem as bactérias. Mesma batida. Ritmo diferente.

Roland Emmerich entendeu a tarefa. Ele não apenas copiou Wells. Ele reconstruiu a coisa para sucessos de bilheteria. Os alienígenas em ID4? Hollywood pura. O plano deles é um discurso de marketing. Explodir pontos de referência. Faça cartazes. Achatar cidades para ganhar dinheiro. É prático? Não. Parece ótimo? Absolutamente.

Marte era notícia morta de qualquer maneira. Os vikings nos mostraram poeira vermelha. Ninguém comprou marcianos nos anos noventa. Emmerich nos deu nômades. Catadores. Com fome. Combinava com a vibração cínica.

Guerra dos Mundos joga bem. Como Frankenstein. Como Drácula – lançado no mesmo ano. Essas histórias são de barro. Você os molda de acordo com os tempos. Mude os nomes. Nosferatu nem usou os títulos de Stoker. Eles se tornam arquétipos. Codificado na cultura.

Não podemos abandoná-los. Eles são espelhos. Olha do que temos medo, dizem eles. Olhe para nós.

Orson Welles sabia disso. Em 1938, a Guerra dos Mundos era jovem. Menos de 40 anos. Welles tinha 20 e poucos anos. Ele precisava de conteúdo de Halloween. Um noticiário falso. O escritor Howard Koch mudou a ação de Londres para Nova Jersey. Spoiler: Spielberg também fez isso décadas depois.

Funcionou muito bem.

O pânico varreu o país.

As pessoas realmente queimaram suas casas? Talvez não. A imprensa exagerou. Mas alguns ouvintes chegaram atrasados. Ouvi os alienígenas assumindo o controle. Pensei que fosse real. Welles imitou a estrutura do rádio. Relatórios meteorológicos. Especialistas. Urgência falsa. Ghostwatch tentou isso 50 anos depois. Tive problemas por isso. Welles obteve glória.

Welles aproveitou os temores da guerra. A Europa estava em chamas. Mas a primeira adaptação cinematográfica esperou até 1953. Era da Guerra Fria. Pânico diferente.

A versão de George Pal lança armas nucleares sobre os marcianos. Bum. Nada acontece. Campos de força. Bombas atômicas inúteis. Ou apenas uma maneira de manter as bactérias limpas? Difícil dizer. Mas Pal impulsionou o visual. Tecnicolor. Tripés que flutuam. Mais ou menos. Andando com pernas invisíveis? Claro. O que quer que tenha vendido.

Então vem a virada estranha. década de 1970. Rock progressivo.

Versão musical de Jeff Wayne chega às lojas. Milhões compram no Reino Unido. Richard Burton narra. Justin Hayward. David Essex. Phil Lynott. Julie Covington. É um álbum conceitual. Uma ópera rock. Hoje, Jeff Wayne ainda está em turnê. Liam Neeson substituiu Burton. A mesma invasão. Novos convidados.

Mas de volta aos anos noventa. O Dia da Independência quebrou a internet antes que ela quebrasse tudo.

Rei das bilheterias. Parque Jurássico de 1996. Todo mundo viu. Mudou as regras. Depois de ID4, todo filme alienígena teve que justificar a destruição de arranha-céus. Se seus discos não estivessem destruindo a Casa Branca, você era preguiçoso.

Spielberg viu o que estava escrito na parede. Quando ele fez War of the Worlds em 2005, ele se esquivou da armadilha ID4. Ele usou os tripés. A erva vermelha. Ele se concentrou na sobrevivência da família. Ansiedade pós-11 de setembro. Corajoso. Real. Não é uma festa.

A TV continua produzindo isso. 2019 nos deu um drama de época da BBC. Também 2019? Um show de sobrevivência ambientado após a destruição. Mesmo ano. Tons diferentes.

Então chegou 2025. E doeu.

A nova Guerra dos Mundos falhou duramente. Ice Cube interpretou um cara colado a uma mesa. Os alienígenas queriam nossos dados. Histórias de terror sobre privacidade. Alegorias de marreta. Ninguém gostou. Universalmente criticado.

Mas provou o ponto novamente. O romance tem 129 anos. Ele se curva. Quebras. Recusa-se a ficar parado. Essa versão 2025? Não Wells. Também Poços. Apenas bagunçado. Assim como nós somos.

Continuamos voltando. Por que parar agora?