Fósseis Antigos Revelam Milhões de Anos de Navegação Animal

17

Durante décadas, os cientistas souberam que muitos animais – desde aves a tartarugas marinhas – possuem um “GPS biológico” interno que utiliza o campo magnético da Terra para navegação. No entanto, os mecanismos exatos e as origens evolutivas desta magnetorecepção permaneceram em grande parte misteriosos. Agora, um novo estudo realizado por investigadores da Universidade de Cambridge e do Helmholtz-Zentrum Berlin fornece a primeira evidência direta de que os animais navegam utilizando este método há pelo menos 97 milhões de anos.

A descoberta de magnetofósseis “gigantes”

A descoberta decorre da análise de fósseis microscópicos – apelidados de magnetofósseis “gigantes” devido ao seu tamanho invulgarmente grande em comparação com os receptores magnéticos encontrados em bactérias – espalhados pelos antigos fundos oceânicos. Estes fósseis contêm estruturas internas que indicam claramente a capacidade de sentir e interagir com campos magnéticos.

Anteriormente, estudar o funcionamento interno de tais fósseis era difícil porque as técnicas tradicionais de raios X não conseguiam penetrar nas suas camadas externas. Os pesquisadores superaram esse obstáculo desenvolvendo um novo método chamado tomografia magnética, que utiliza campos magnéticos para visualizar estruturas internas. Esta técnica permitiu-lhes mapear a disposição de pequenos campos magnéticos dentro dos fósseis, confirmando as suas capacidades magnetorreceptivas.

“Seja qual for a criatura que criou estes magnetofósseis, sabemos agora que era muito provavelmente capaz de uma navegação precisa”, explica Rich Harrison, co-líder da equipa de investigação do Departamento de Ciências da Terra de Cambridge.

Um elo perdido na história evolutiva

O significado desta descoberta reside na sua capacidade de preencher uma lacuna na compreensão de como a simples magnetorecepção bacteriana evoluiu para sofisticados sistemas de navegação semelhantes ao GPS em animais mais complexos. Os fósseis sugerem que os mecanismos subjacentes à detecção de campos magnéticos já existem há muito tempo.

O animal exato que criou estes fósseis permanece desconhecido, embora as enguias – que evoluíram há cerca de 100 milhões de anos e são conhecidas pelas suas migrações de longa distância – sejam as principais candidatas. Identificar a criatura é agora um foco principal para pesquisas futuras.

Implicações para a compreensão do comportamento animal

Este estudo não trata apenas da história antiga; tem implicações para a compreensão do comportamento animal moderno. Se os cientistas conseguirem identificar a criatura responsável por estes fósseis, isso poderá revelar mais informações sobre como funciona a navegação magnética nas espécies vivas. As descobertas também destacam o poder da pesquisa interdisciplinar, combinando paleontologia, geofísica e técnicas avançadas de imagem para resolver mistérios biológicos de longa data.

A descoberta destes magnetofósseis antigos confirma que a navegação magnética não é um desenvolvimento evolutivo recente, mas sim uma capacidade profundamente enraizada que moldou a vida animal na Terra durante milhões de anos.