O maior sistema de certificação de produtos agrícolas do Reino Unido, o Red Tractor, viu recentemente um anúncio televisivo ser banido pela Advertising Standards Authority (ASA) por fazer alegações enganosas relativamente às suas normas ambientais. Esta decisão destaca o crescente escrutínio do “greenwashing” na indústria alimentar e levanta questões sobre a forma como as certificações indicam de forma fiável uma responsabilidade ambiental genuína.
O Núcleo da Reclamação
O grupo ambientalista River Action apresentou a reclamação à ASA em 2023, contestando a implicação do anúncio de que as fazendas certificadas pela Red Tractor priorizam a proteção ambiental. A preocupação do grupo resultou de um relatório da Agência Ambiental de 2020, que concluiu que as explorações agrícolas abrangidas pelo esquema Red Tractor não eram um indicador fiável de bom desempenho ambiental. Este relatório analisou as violações da legislação ambiental nas fazendas da Red Tractor durante um período de cinco anos.
Decisão da ASA: Evidências insuficientes
Após uma investigação que durou mais de dois anos – uma das mais longas da ASA – o órgão de fiscalização manteve a queixa. A ASA afirmou que a Red Tractor não forneceu provas adequadas que demonstrassem que as suas explorações aderiram às leis ambientais básicas e alcançaram resultados ambientais positivos. Consequentemente, o órgão de publicidade considerou o anúncio “enganoso” e “exagerou” os benefícios associados ao esquema.
O que isso significa para consumidores e supermercados
Amy Fairman, da River Action, saudou a decisão da ASA, instando os supermercados e outros retalhistas a examinarem cuidadosamente os produtos que armazenam e a reavaliarem a sua confiança na certificação Red Tractor para credibilidade ambiental. Fairman enfatizou o risco de poluição agrícola, afirmando que é um fator significativo que impede os rios de atingirem uma boa saúde, afetando aproximadamente 40% dos cursos de água no Reino Unido. O escoamento do chorume e o uso de pesticidas são os principais contribuintes para este risco.
Resposta da Red Tractor: Foco no bem-estar animal
A Red Tractor, que certifica cerca de 45.000 fazendas em todo o Reino Unido, contestou veementemente as conclusões da ASA, rotulando-as de “fundamentalmente falhas”. O CEO Jim Moseley argumentou que o anúncio não fazia explicitamente reivindicações ambientais e que a conclusão da ASA de que mesmo uma minoria de telespectadores poderia interpretar o anúncio como um endosso de boas práticas ambientais era insuficiente para justificar uma proibição.
Moseley esclareceu que o foco principal da Red Tractor é a segurança alimentar, o bem-estar animal e a rastreabilidade, com os padrões ambientais representando apenas um pequeno componente do esquema geral. Ele acrescentou que a Red Tractor não monitora ativamente se suas fazendas cumprem as regulamentações ambientais, afirmando “Correto” quando questionado sobre este ponto. A organização deixa a aplicação da legislação ambiental para a Agência Ambiental.
Contexto e perguntas mais amplas
A proibição da publicidade da Red Tractor ocorre num momento em que há uma crescente pressão pública e regulamentar sobre as empresas para fundamentarem as suas reivindicações ambientais. Um relatório de 2022 da Comissão de Auditoria Ambiental reforçou o impacto significativo da agricultura na saúde dos rios, sublinhando a necessidade de uma maior responsabilização dentro do sector.
Esta situação levanta várias questões: Como podem os esquemas de certificação integrar e aplicar melhor as normas ambientais? Que nível de responsabilidade ambiental deve ser esperado dos programas de certificação agrícola? E como podem os consumidores ter a certeza de que as certificações em que confiam refletem com precisão o verdadeiro impacto ambiental de um produto?
A decisão da ASA serve como um alerta para os esquemas de certificação e também para os retalhistas, enfatizando a importância da transparência e de provas rigorosas para apoiar as alegações ambientais. O público está a tornar-se mais exigente e as empresas devem estar preparadas para respaldar as suas promessas de sustentabilidade com ações concretas e dados verificáveis.
