Asteróide Bennu confirma a forma dos blocos de construção da vida em diversas condições cósmicas

18

Uma nova análise de amostras recuperadas do asteroide Bennu pela missão OSIRIS-REx da NASA revela que as matérias-primas para a vida podem surgir em muito mais ambientes do que se entendia anteriormente. As descobertas sugerem que os aminoácidos – componentes essenciais das proteínas – se formaram não apenas em condições quentes e aquosas perto do sol nascente, mas também nos confins gelados do nosso sistema solar. Isto expande as zonas potenciais de busca de vida além da Terra.

Além da linha da neve: uma origem fria para os componentes da vida

Durante décadas, os cientistas acreditaram que os aminoácidos precisavam de água líquida e quente para se formarem. No entanto, a composição isotópica dos aminoácidos encontrados na amostra de Bennu contradiz esta visão. Os dados indicam que estes compostos se originaram em ambientes frios e gelados, longe do sol jovem, mas ainda expostos à radiação ultravioleta capaz de desencadear as reações químicas necessárias.

Esta descoberta é significativa porque desafia a nossa compreensão de onde os precursores da vida podem se desenvolver. O sistema solar inicial tinha uma “linha de neve” definida, além da qual a água existia na forma de gelo. O facto de os aminoácidos se formarem para além desta linha sugere que os blocos de construção da vida não estão limitados a zonas habitáveis ​​como tradicionalmente as definimos.

Impressões digitais isotópicas contam uma história

Pesquisadores liderados por Allison Baczynski, da Penn State University, compararam a composição isotópica dos aminoácidos de Bennu com aqueles encontrados no meteorito Murchison, que se formou em condições mais quentes. Os resultados foram surpreendentes: os aminoácidos de Bennu mostraram assinaturas isotópicas distintas, indicando uma via de formação diferente.

“Foi realmente emocionante ver que os aminoácidos em Bennu mostraram um padrão isotópico muito diferente daqueles em Murchison”, afirmou Baczynski. Esta divergência sugere que o corpo parental de Bennu se formou além da linha da neve ou acumulou material a partir de grãos de poeira gelada originários dessas regiões frias.

Um novo mistério: lateralidade dos aminoácidos

A análise também revelou uma anomalia intrigante: as versões canhotas e destras do aminoácido ácido glutâmico exibem diferentes valores de isótopos de nitrogênio. Toda a vida na Terra utiliza exclusivamente aminoácidos canhotos, um fenômeno que os cientistas ainda não conseguem explicar. O facto de as duas formas espelhadas do ácido glutâmico diferirem na composição isotópica levanta questões sobre se esta assimetria tem alguma ligação com a preferência da vida pelo canhoto.

“Muitas vezes tem sido assumido que os valores dos isótopos de nitrogênio seriam os mesmos para ambas as formas”, observou Baczynski. Esta descoberta inesperada acrescenta outra camada ao mistério que envolve as origens da vida.

Implicações para a busca por vida extraterrestre

A gama alargada de condições sob as quais os blocos de construção da vida podem formar-se tem implicações importantes para a procura de vida fora da Terra. Se os aminoácidos podem surgir em ambientes gelados, o número de potenciais locais habitáveis ​​aumenta dramaticamente, abrindo novos caminhos para exploração. A descoberta reforça a ideia de que o universo pode estar repleto de matérias-primas necessárias para o surgimento da vida.